terça-feira, 30 de outubro de 2007

Pedaços

Nem sempre se sonha com a neve. Quando se sonha nunca se sabe com o que – e se – se vai sonhar. As vezes à noite sinto que ouço o barulho de suspiros e ao comer suspiros sinto o barulho de suspiros dentro da boca dentro da mente, um suspiro do lado de dentro do ouvido. Mas nunca como suspiros. Quase sempre suspiro. Ah...(suspiro). Sabe, nem sempre se sobrevive à vida. Nunca sobrevivemos à morte. Sei que a chuva sempre chega primeiro – sempre primeiro como uma promessa. E quase sempre sobrevivemos à chuva. Nem sempre é possível se esquecer do silêncio. Se algum dia desejar esquecer alguma coisa, quero esquecer o barulho e não o silêncio não o silêncio, quero sempre o silêncio. Quero sempre sentir o vermelho, o vermelho guarda chuva vermelho. Água na pele é bom mas só é bom quando é na pele e não na roupa. Sono sem sonho é como a morte - então acordar sem sonhos é como sobreviver à morte. Mas não é. Não é.

2 comentários:

Luiz Coelho disse...

"Nem sempre é possível se esquecer do silêncio"
Mto expressiva esta frase! Expressão feliz!

P.S.; Vc me linkou errado, pôs "rastroscoelho", na verdade é "rastrosdocoelho".

guyshè-valléy disse...

"Sono sem sonho é como a morte - então acordar sem sonhos é como sobreviver à morte. Mas não é. Não é."


"não há um conhecimento da morte, mas há uma sensibilidade para a morte"