terça-feira, 2 de fevereiro de 2010
algumas fotos não tiradas
A menina olhou pra baixo, talvez para pegar uma moeda, ou para amarrar o sapato, ou para coçar o tornozelo esquerdo, afinal era inverno e as vezes essas meias de lã pinicam a pele. Quando ela virou o rosto para acompanhar o resto do corpo que se movia seus cabelos curtos esconderam seus olhos e pude ver sua nuca. Neste exato momento um senhor careca ou grisalho ou solitário que tomava um chá (chá verde com menta típico desses cafés que servem chá em Paris) virou a página do jornal que estava lendo. A poucos metros dali uma mulher e seu filho comiam um doce árabe daqueles de nozes carameladas, alguma coisa fez com que ela olhasse pela janela, quem sabe o vento frio, já que era inverno, e por um instante o menino pareceu estar abandonado naquele café em Paris.
domingo, 17 de janeiro de 2010
tudo termina numa equação (mesmo sem ser boa em matemática)
B.:
hoje acordei e matei uma aranha. ele me diz que matar aranhas dá azar.
matei a aranha e fui fazer um café. quebrei o bule da cafeteira elétrica.
azar. precisava de café, sempre preciso de café, sempre, então fiz um nescafé – sem leite.
só com água. O cheiro me levou de volta pras manhãs em paris naquele
apartamento – apertado – onde a gente tomava nescafé – sem leite só com água.
F.:
e tudo começa pela aranha, vem ele que traz o azar. a duvida se instala. vem o desejo e a impossibilidade (azar?) trazida pela realidade. logo depois, dá-se um jeitinho. adapta-se. possibilita-se um outro jeito de fazer as coisas + cheiro = memória. e vida.
Paris.
e todas as manhãs quando você esteve lá juntinho, comigo. bom cheirar e nos trazer a memória de volta. de tempos bons (e cheirosos) que aparentavam estar esquecidos.
domingo, 29 de novembro de 2009
fine and mellow
o amor se repete
como as músicas
de amor que canta
a billie holliday
que canta musicas
fine and melllow
de desamor
quando o amor acaba
e se repete
ou se rebate
em outro peito como as musicas
da billie holliday
no repeat – fine and mellow
de um som qualquer
como as músicas
de amor que canta
a billie holliday
que canta musicas
fine and melllow
de desamor
quando o amor acaba
e se repete
ou se rebate
em outro peito como as musicas
da billie holliday
no repeat – fine and mellow
de um som qualquer
domingo, 28 de junho de 2009
Instruções para uma viagem à Índia
Se algum dia você for à Índia
tenha sempre uma pena de pavão no bolso
toque nela de vez em quando
e pense em alguma coisa amarela – para dar sorte.
Se algum dia você for à Índia
olhe sempre nos olhos das pessoas
segure-as sempre pelas mãos
e lembre-se – lágrimas são quase sempre motivo de constrangimento.
Se algum dia você for à Índia
use todos os dias um colar de flores
e quando estiver preparado
junte suas mãos encoste – as na sua testa depois no seu peito
e se despeça.
tenha sempre uma pena de pavão no bolso
toque nela de vez em quando
e pense em alguma coisa amarela – para dar sorte.
Se algum dia você for à Índia
olhe sempre nos olhos das pessoas
segure-as sempre pelas mãos
e lembre-se – lágrimas são quase sempre motivo de constrangimento.
Se algum dia você for à Índia
use todos os dias um colar de flores
e quando estiver preparado
junte suas mãos encoste – as na sua testa depois no seu peito
e se despeça.
bits
Snow is not always the subject of dreams. Dreaming is not always a fact, a fact of memory, a fact in memory or a fact that is remembered. Therefore dreaming is fact, but its memory is always just a possibility. Some forgotten dreams are silent, but there are also those that whisper constantly, itching the brain, sighing because they were not meant to be forgotten, whispering constantly, itching the brain because they refuse to be forgotten, sighing because they want to become memory. Some of these forgotten dreams whisper loud enough to be remembered while others grow quiet with time and die slowly, bit by bit, or suddenly – who knows. Dying is a fact. A fact that becomes memory of the living. Dying is never remembered by the dead. It seems that for the dead, dying is enough. Unlike snow, death is always the subject of dreams. And quite like some forgotten dreams, death also whispers constantly, itching the brain, refusing to be forgotten, sighing, sighing, just because.
sexta-feira, 26 de junho de 2009
how to tame a flying whale
note:
Flying whales are rare and not unlike most ordinary whales.
Flying whales are winged, however, contrary to expectation, are not known to fly.
Therefore, flying whales are not found outside of the ocean.
But the possibility is admitted.
Diving equipment will be needed.
instructions:
first choose a destination: the atlantic, the pacific, or the indian ocean.
when the whales come, look for the one with wings - there is never more than one with wings
swim along its left side for a period of time
touch it gently with one of your hands (it doesn't matter wich one)
now run that hand against it and swim towards its eye
look into it for five seconds and stay very still
don't close your eyes
think of elena. elena.
wait for a blink
now you may mark your whale as you see fit.
Flying whales are rare and not unlike most ordinary whales.
Flying whales are winged, however, contrary to expectation, are not known to fly.
Therefore, flying whales are not found outside of the ocean.
But the possibility is admitted.
Diving equipment will be needed.
instructions:
first choose a destination: the atlantic, the pacific, or the indian ocean.
when the whales come, look for the one with wings - there is never more than one with wings
swim along its left side for a period of time
touch it gently with one of your hands (it doesn't matter wich one)
now run that hand against it and swim towards its eye
look into it for five seconds and stay very still
don't close your eyes
think of elena. elena.
wait for a blink
now you may mark your whale as you see fit.
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