terça-feira, 30 de outubro de 2007

Pedaços

Nem sempre se sonha com a neve. Quando se sonha nunca se sabe com o que – e se – se vai sonhar. As vezes à noite sinto que ouço o barulho de suspiros e ao comer suspiros sinto o barulho de suspiros dentro da boca dentro da mente, um suspiro do lado de dentro do ouvido. Mas nunca como suspiros. Quase sempre suspiro. Ah...(suspiro). Sabe, nem sempre se sobrevive à vida. Nunca sobrevivemos à morte. Sei que a chuva sempre chega primeiro – sempre primeiro como uma promessa. E quase sempre sobrevivemos à chuva. Nem sempre é possível se esquecer do silêncio. Se algum dia desejar esquecer alguma coisa, quero esquecer o barulho e não o silêncio não o silêncio, quero sempre o silêncio. Quero sempre sentir o vermelho, o vermelho guarda chuva vermelho. Água na pele é bom mas só é bom quando é na pele e não na roupa. Sono sem sonho é como a morte - então acordar sem sonhos é como sobreviver à morte. Mas não é. Não é.

sábado, 27 de outubro de 2007

Déjà vu
Presque vu
Jamais vu
Aurélie!
Déjà vu
Presque vu
Jamais vu
Tea
Déjà vu
Presque vu
Jamais vu
Aurélie!

About a writer

She writes
about oddities
and lonely
losers,

people who
inspire
very little
interest or respect.

She sees herself
in them
even though she is
quite beautiful -

and maybe that is why -
in being set apart
she's as lonely
as her losers.

In truth
she knows that
feeling odd and
out of place
comes in spite
of what you know that you could be.

A ventania varreu a cidade
Com tanta fúria
Que estourou os vidros
Das janelas
Nunca tive medo de tempestade
E fui catar os cacos
Com os pés descalços